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Três Lagoas,21/09/2026

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Safra cresce, mecanização reduz empregos em MS


Safra cresce, mecanização reduz empregos em MS Foto: Comunicação Aprosoja/MS

Mato Grosso do Sul alcançou 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026. O avanço da produção, no entanto, ocorre em meio à redução de trabalhadores diretamente empregados nas lavouras, reflexo da mecanização e da automação no campo.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que, no país, o número de trabalhadores ocupados na soja caiu 6,9% em 2025, com redução de 31.987 pessoas. No milho, a retração foi de 10%, equivalente a 43.087 trabalhadores.

Apesar da queda dentro das lavouras, o agronegócio brasileiro empregou 28,40 milhões de pessoas em 2025, maior número desde o início da série histórica, em 2012. O setor representou 26,3% da população ocupada do país e ganhou mais de 601 mil trabalhadores em relação ao ano anterior.

A mudança ocorre principalmente na distribuição das vagas. Enquanto o segmento primário perdeu 87.378 trabalhadores, a agroindústria ampliou as contratações em 1,4% e os agrosserviços cresceram 6,1%. Áreas como processamento, transporte, assistência técnica, manutenção e operação de máquinas passaram a concentrar parte da demanda.

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a mecanização reduz algumas atividades manuais, mas mantém a necessidade de profissionais em outros pontos da cadeia. “Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva mantém demanda por trabalhadores em áreas como agroindústria, agrosserviços, assistência técnica, logística, manutenção e operação de máquinas”, afirmou.

Em Mato Grosso do Sul, a agropecuária terminou 2025 com saldo positivo de 1.256 empregos formais. O movimento das contratações também varia conforme o calendário agrícola. Com o fim do vazio sanitário da soja em 15 de setembro, o plantio da nova safra foi liberado a partir desta quarta-feira (16), aumentando novamente a movimentação nas propriedades rurais.

A transformação do mercado de trabalho também amplia a importância da qualificação. A operação de máquinas, ferramentas digitais e sistemas de gestão exige profissionais mais especializados. Para Gimenes, a formação técnica passa a integrar a estrutura necessária para acompanhar o avanço tecnológico da agricultura.




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