Três Lagoas registra aumento de acidentes com escorpiões
Foto: Divulgação Três Lagoas registrou 957 acidentes com escorpiões entre janeiro e outubro de 2026, superando os 942 casos contabilizados durante todo o ano passado. O crescimento preocupa as autoridades de saúde, principalmente após a morte de uma criança de 4 anos, no dia 1º de novembro. Em 2024, o município havia registrado 518 ocorrências, o que demonstra o avanço significativo dos acidentes nos últimos dois anos.
Segundo dados da Vigilância em Saúde, dos 957 acidentes registrados em 2026, 108 envolveram crianças, o equivalente a 11,3% do total. Entre os bairros com maior concentração de ocorrências estão São Carlos, Guanabara, Novo Oeste, Vila Haro e Vila Piloto. Apesar disso, a presença dos animais não está restrita a determinadas regiões da cidade.
A diretora de Vigilância em Saúde, Danielle Ignácio Amorim, explicou que o escorpião-amarelo, conhecido cientificamente como Tityus serrulatus, é a espécie predominante no município. O animal se adapta facilmente ao ambiente urbano e possui capacidade de reprodução sem a presença de um macho, característica que favorece sua rápida proliferação. "A infestação é na cidade toda. Então, a gente tem a presença desse escorpião, dessa espécie, no município inteiro. Mas existem, sim, alguns bairros que têm mais, outros têm menos casos", afirmou.
Danielle destacou que a prevenção depende de cuidados simples, como manter quintais limpos, evitar o acúmulo de entulhos, controlar a presença de baratas e instalar telas nos ralos. Também é importante afastar móveis de paredes ásperas e impedir que cobertores e roupas de cama fiquem encostados no chão. "O escorpião está em busca de barata, que é o alimento dele. A gente coloca tela nos ralos e evita deixar, por exemplo, o cobertor encostado no chão. Não deixe encostado no chão, porque ele sobe na cama", orientou.
Em caso de picada, a recomendação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente. A diretora-geral em Saúde, Jamila de Lima Gomes, explicou que a população pode acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, para receber orientações sobre o atendimento adequado. "O médico regulador do Samu tem essa função de estar orientando a população para qual serviço de saúde ela deve procurar", explicou. Segundo Jamila, crianças devem ser encaminhadas ao Hospital Regional, que dispõe de UTI pediátrica e soro antiescorpiônico. Adultos com doenças crônicas e idosos com comorbidades devem procurar atendimento hospitalar, enquanto adultos sem agravamento clínico podem ser atendidos na UPA, conforme a orientação da rede municipal.
A preocupação com os acidentes aumentou após a morte de uma menina de 4 anos, que foi picada por um escorpião enquanto brincava em casa. A criança recebeu os primeiros atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e foi encaminhada ao Hospital Auxiliadora, onde recebeu o soro antiescorpiônico, mas não resistiu. Três Lagoas não registrava mortes por esse tipo de acidente desde 2009. Jamila alertou que a administração do antídoto não garante a recuperação do paciente. "Não é uma garantia, porque depende muito da questão clínica da pessoa. Por exemplo, se é criança, o quilo é menor, a quantidade de veneno é maior, ela circula de uma forma mais rápida dentro do organismo", esclareceu.
A diretora também explicou que vômitos, suor excessivo e aceleração dos batimentos cardíacos são sinais de agravamento que exigem atenção imediata da equipe médica. O município mantém ações permanentes de educação em saúde e encaminha os endereços dos acidentes ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), responsável por avaliar as ocorrências e orientar os moradores. A recomendação é não tentar capturar escorpiões sem segurança e procurar orientação especializada quando houver presença frequente dos animais nas residências.




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