Violência contra idosos cresce em MS e maioria dos casos permanece invisível
Seminário realizado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul teve uma plateia atenta aos debates / Foto: Agência ALEMS A violência contra a pessoa idosa continua avançando em Mato Grosso do Sul e especialistas alertam que a maior parte dos casos sequer chega ao conhecimento das autoridades. Dados apresentados durante o 11º Seminário Estadual de Enfrentamento à Violência Contra a Pessoa Idosa mostram que o Estado registrou 4.252 denúncias, que resultaram em 542 prisões, mas esse cenário representa apenas uma parcela da realidade.
O levantamento, desenvolvido pelo Ambulatório de GerontoGeriatria e Cuidados Paliativos da UFMS, aponta que Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de violência não letal contra idosos, com 310,5 notificações para cada 100 mil habitantes idosos. Somente entre janeiro e maio de 2023 foram registradas 818 denúncias, um aumento de 59,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Campo Grande concentrou 502 ocorrências, seguida por Dourados, com 51, e Três Lagoas, com 39.
Segundo os pesquisadores, 65% das violações são consideradas invisíveis, principalmente por envolverem negligência e violência psicológica. A negligência representa 41% dos casos registrados, seguida pela violência psicológica (24%), abuso financeiro (20%), violência física (12%) e violência institucional (2%). O estudo destaca que muitas vítimas deixam de denunciar por dependerem financeiramente ou emocionalmente dos próprios agressores, que geralmente são familiares ou cuidadores.
As mulheres representam 67% das vítimas. A maior incidência ocorre entre idosos de 76 a 80 anos, enquanto pessoas com mais de 80 anos apresentam maior vulnerabilidade devido à dependência física. A baixa escolaridade também aparece como fator de risco, dificultando o acesso à informação e aos mecanismos de proteção.
Durante o seminário, especialistas defenderam o fortalecimento da rede de proteção, com atuação integrada entre assistência social, saúde, segurança pública, Ministério Público e Poder Judiciário. Também foi destacada a necessidade de ampliar investimentos em políticas públicas, como a implantação de Centros-Dia para Idosos, fortalecimento das Instituições de Longa Permanência e aprovação de medidas que garantam mais recursos para a assistência social.
O encontro marcou o encerramento da campanha Junho Prata, voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa em Mato Grosso do Sul. Segundo o Censo, o Estado possui atualmente cerca de 412 mil pessoas com 60 anos ou mais, reforçando a necessidade de ampliar ações de prevenção, acolhimento e garantia de direitos.



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