Petrobras retoma fábricas de fertilizantes para atender 35% da demanda
Foto: Arquivo/Saul Schramm Petrobras prevê produzir 35% dos fertilizantes usados no Brasil
A retomada das fábricas de fertilizantes da Petrobras pode fazer o Brasil reduzir a dependência de importações do setor nos próximos anos. A estimativa da estatal é alcançar 35% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados com a reativação de unidades na Bahia, Sergipe, Paraná e a conclusão da UFN-III, em Três Lagoas.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (14), durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Camaçari, na Bahia. A unidade voltou a operar em janeiro de 2026 após permanecer cerca de seis anos hibernada.
Com investimento de R$ 100 milhões, a planta tem capacidade para produzir 1,3 mil toneladas de ureia por dia, volume equivalente a cerca de 5% da demanda nacional. A retomada também gerou 900 empregos diretos e outros 2,7 mil indiretos na região.
Durante a visita, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a estatal trabalha para ampliar a produção nacional de fertilizantes com a retomada de outras unidades industriais.
Segundo ela, além da fábrica da Bahia, a Petrobras também avança na reabertura das unidades de Laranjeiras, em Sergipe, e da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná. Em Mato Grosso do Sul, a construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, segue em andamento, com previsão de operação em 2029.
“Com a fábrica de Mato Grosso do Sul, com a fábrica do Paraná, com a fábrica de Sergipe e com a fábrica da Bahia, nós vamos produzir 35% dos fertilizantes nitrogenados que o Brasil precisa”, afirmou Magda Chambriard.
Os fertilizantes nitrogenados, como a ureia, são essenciais para a produção agrícola em larga escala. Atualmente, o Brasil importa entre 85% e 90% dos fertilizantes consumidos no país, o que é considerado uma das principais vulnerabilidades do agronegócio nacional.
Durante o discurso, Lula afirmou que o Brasil precisa reduzir a dependência externa do setor.
“O Brasil é um país agrícola. O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos. E o Brasil precisa de fertilizante. O Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa”, declarou.
O presidente também comparou a retomada da indústria de fertilizantes à reativação do setor naval brasileiro, defendendo investimentos em produção nacional, geração de empregos e desenvolvimento tecnológico.
Lula ainda criticou a venda de ativos da Petrobras em governos anteriores, incluindo a BR Distribuidora, atualmente chamada Vibra Energia, afirmando que a estatal perdeu capacidade de influenciar nos preços dos combustíveis após a privatização.




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