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Três Lagoas,02/04/2026

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Investigação aponta trabalho análogo à escravidão em fazenda ligada a dono da Brooksfield


Investigação aponta trabalho análogo à escravidão em fazenda ligada a dono da Brooksfield Foto: Polícia Civil

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul segue investigando um caso de trabalho análogo à escravidão descoberto em agosto deste ano em uma fazenda localizada a cerca de 35 quilômetros da área urbana de Brasilândia. A propriedade pertence a uma empresa de Carlos Manoel da Silva Antunes, um dos sócios do grupo Via Veneto, responsável por marcas como a Brooksfield.

No dia 19 de agosto deste ano, dois gerentes da fazenda foram presos em flagrante pela Delegacia de Brasilândia. Durante a ação, também foram apreendidas duas caminhonetes utilizadas na propriedade rural.

As investigações começaram após denúncias sobre a exploração de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social. No local, os policiais encontraram trabalhadores alojados em currais e depósitos, sem condições mínimas de higiene ou dignidade. Não havia transporte fornecido pela fazenda, nem estrutura adequada de alimentação ou descanso.

Segundo a Polícia Civil, os trabalhadores cumpriam jornadas exaustivas, superiores a nove horas diárias, de segunda a sábado, sem receber remuneração compatível. Algumas vítimas relataram que precisavam caminhar longas distâncias até a cidade para buscar atendimento médico, já que a fazenda não oferecia qualquer tipo de suporte. Produtos de higiene e alimentação eram comprados diretamente dos aliciadores, com descontos feitos nos salários. Cobertores também não eram fornecidos, mesmo em períodos de frio.

No momento da fiscalização, cinco trabalhadores foram retirados às pressas da fazenda instantes antes da chegada da equipe policial, numa tentativa de ocultar provas e dificultar a ação. Eles foram localizados posteriormente em uma praça pública no centro de Brasilândia. Ao todo, seis vítimas foram identificadas até o momento, todas oriundas de outros estados.

As provas reunidas, incluindo imagens, vídeos e laudo pericial, confirmam as condições degradantes encontradas no local. Os dois gerentes presos em flagrante respondem por crimes relacionados à redução à condição análoga à de escravo e frustração de direitos trabalhistas.

As vítimas foram encaminhadas ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), onde receberam abrigo e alimentação.

De acordo com o delegado Rafael Montovani, responsável pela investigação, o inquérito continua. Segundo ele, a Polícia Civil trabalha para apurar todas as responsabilidades e identificar outras possíveis vítimas exploradas na região.

O caso também remete a denúncias anteriores envolvendo o nome de Carlos Manoel da Silva Antunes, citado em investigações semelhantes em São Paulo em 2016. O grupo Via Veneto e o empresário foram procurados, mas não se manifestaram até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto.






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