Moda autoral valoriza cultura de Mato Grosso do Sul
Estilistas transformam elementos do Pantanal, do Cerrado e das tradições regionais em roupas que movimentam a economia criativa
Foto: Sebrae MS A moda autoral de Mato Grosso do Sul ganha espaço no mercado nacional ao transformar elementos da cultura, da fauna e da flora do Estado em roupas e acessórios. No aniversário de 49 anos de criação de Mato Grosso do Sul, celebrado neste domingo (11), estilistas mostram como tradições regionais, sustentabilidade e memórias afetivas podem se transformar em oportunidades de negócios.
O movimento reúne empreendedores que apostam em peças exclusivas, produção em pequena escala e técnicas sustentáveis, como crochê, serigrafia à base de água e tingimento natural. As coleções incorporam referências do Pantanal, do Cerrado e de hábitos culturais, como o tereré, aproximando a moda da identidade sul-mato-grossense.
Segundo Penélope Herradon, gestora dos projetos de Moda do Sebrae/MS, existe uma procura crescente por produtos que tenham identidade própria. Para ela, a valorização da produção autoral e as possibilidades comerciais abertas pela Rota Bioceânica podem ampliar a presença das marcas regionais em outros mercados. O Sebrae oferece capacitações, consultorias e apoio para que os empreendedores desenvolvam suas marcas.
Entre os profissionais que ganharam projeção está o estilista Hígor Euzébio, que começou a produzir peças em crochê entre 2021 e 2022, inicialmente como uma atividade terapêutica. Em 2024, apresentou seu primeiro desfile no Festival de Inverno de Bonito e passou a desenvolver coleções inspiradas na natureza e no cotidiano sul-mato-grossense. Suas criações já chegaram a artistas como Daniela Mercury, Marina Sena, Margareth Menezes e à influenciadora Gkay.
Em 2026, Hígor retornou ao Festival de Inverno de Bonito com um vestido inspirado no tuiuiú, ave símbolo do Pantanal. O estilista também levou referências das araras-vermelhas de Campo Grande para um desfile de moda artesanal realizado em São Paulo. Segundo ele, a proposta é valorizar elementos presentes no cotidiano regional e transformá-los em peças que possam alcançar diferentes públicos.
Outro destaque é o estilista Anderson Bosh, que utiliza a moda como forma de expressão e valorização da ancestralidade. Adepto do conceito de produção em pequena escala, apresentou no Festival de Inverno de Bonito deste ano a coleção “Casca Barro Mato Sul”. As peças foram desenvolvidas com tecidos de algodão e linho, utilizando pigmentos naturais extraídos de plantas, cascas e solos encontrados no Estado. Entre os materiais utilizados estão angico, barbatimão, jenipapo e jatobá.
A identidade regional também aparece no trabalho do arquiteto Yuri Chaparro, criador da marca Porã, fundada em Campo Grande entre o final de 2023 e o início de 2024. A empresa produz camisetas com estampas inspiradas em paisagens, comidas típicas e símbolos do cotidiano sul-mato-grossense. As peças são confeccionadas em algodão e recebem estampas produzidas com serigrafia à base de água. Depois de iniciar as vendas pelos canais digitais, a marca abriu um espaço físico na Feira Central de Campo Grande.
Para o Sebrae/MS, iniciativas como essas demonstram como a cultura regional pode agregar valor aos produtos e fortalecer pequenos negócios. A instituição atua com orientações sobre gestão, posicionamento de mercado e estratégias de comercialização. Mais informações sobre os programas de apoio ao empreendedorismo estão disponíveis pelo telefone 0800 570 0800 e no site ms.sebrae.com.br.



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