Arauco monitora primatas no Rio Sucuriú
Projeto acompanha nove grupos de bugios e macacos-prego em Inocência e reúne informações para orientar ações de conservação da fauna
Foto: Divulgação Nove grupos de primatas já foram identificados no corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, durante o monitoramento ambiental desenvolvido pela Arauco em parceria com a Sauá Consultoria Ambiental. O trabalho acompanha principalmente o bugio-preto e o macaco-prego-do-papo-amarelo, espécies classificadas como vulneráveis à extinção no Brasil.
Entre os animais monitorados está uma família de bugios formada por Baru, Pequi e Bacuri, pai, mãe e filhote. Os nomes foram escolhidos em uma votação com mais de 270 participantes, entre trabalhadores do Projeto Sucuriú e integrantes da comunidade. Registros recentes mostram Bacuri interagindo com os pais e outros filhotes brincando.
O acompanhamento reúne dados sobre a composição dos grupos, alimentação, nascimentos, desenvolvimento dos filhotes, deslocamentos e áreas utilizadas pelos animais. Segundo o especialista em biodiversidade da Arauco, Gonzalo Flores, as informações formam uma base consistente para orientar as ações de conservação previstas no empreendimento.
A observação direta em campo é combinada com armadilhas fotográficas e drones equipados com sensores termais. Em aproximadamente 25 horas de buscas pelo solo, foram encontrados dois grupos. Com cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos, sendo seis de bugios e um de macacos-prego. O uso de GPS e telemetria também está previsto para as próximas etapas.
Os dados vão auxiliar na avaliação de duas passagens superiores de fauna que serão instaladas nas áreas de captação de água e do emissário de efluentes tratados. As estruturas suspensas terão aproximadamente 180 metros de vão livre e deverão restabelecer a conexão entre trechos de vegetação, facilitando o deslocamento dos animais pelas copas das árvores. A implantação está prevista para o primeiro semestre de 2027.
Ao todo, serão realizadas 20 campanhas ao longo de cinco anos, com quatro etapas anuais. O monitoramento também já registrou outras espécies da fauna, como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira, jaguatirica e um grupo de queixadas com mais de dez indivíduos. Além de contribuírem para a dispersão de sementes, os primatas funcionam como indicadores das condições dos ambientes florestais.
A iniciativa conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia, pelo uso de drones termais e métodos não invasivos. A premiação será entregue em 6 de outubro. O Projeto Sucuriú recebe investimento de US$ 4,6 bilhões e prevê uma fábrica com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, com início das operações no final de 2027.



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