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Três Lagoas,27/08/2026

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Três Lagoas registra cinco tentativas de feminicídio


Três Lagoas registra cinco tentativas de feminicídio Foto: Divulgação

Três Lagoas registrou cinco tentativas de feminicídio em 2026, até 20 de agosto, número que já supera os quatro casos contabilizados durante todo o ano de 2025 e também os quatro registrados em 2024. Neste ano, o município contabiliza ainda um feminicídio, mesmo número de 2025. Em 2024, foram quatro mortes. Os dados são da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) e mostram que a violência doméstica continua exigindo atenção da rede de proteção.

Até 20 de agosto deste ano, 773 boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica contra a mulher foram registrados em Três Lagoas. Em todo o ano de 2025 foram 1.499 ocorrências, número 6,7% maior que as 1.405 registradas em 2024. Entre os tipos de violência contabilizados em 2026 estão 363 casos de ameaça, 204 de violência física, 116 relacionados à violência sexual e 49 de violência psicológica. Este último número já é igual ao registrado durante todo o ano passado e mais que o dobro dos 22 casos de 2024.

Para o delegado adjunto da DAM de Três Lagoas, Fabiano Alves, um dos períodos de maior risco pode ocorrer justamente quando a mulher decide romper a relação e procurar ajuda. “O momento em que a vítima possivelmente possa estar em uma situação de maior risco é justamente o momento de rompimento, em que ela decide romper com o chamado ciclo de violência”, explicou. Segundo o delegado, dependência financeira, vínculos emocionais e o domínio psicológico exercido pelo agressor estão entre os fatores que podem dificultar o afastamento definitivo. Ele destacou ainda que agressões consideradas inicialmente menos graves podem evoluir. “É importante que a mulher perceba que, a partir do primeiro momento de agressão, ela já pode estar justamente no início do ciclo de violência.”

Neste ano, 439 medidas protetivas de urgência foram solicitadas em Três Lagoas, considerando diferentes modalidades registradas pela DAM, entre elas medidas para vítimas de crimes sexuais, cíveis e infantojuvenis. A delegacia também contabilizou 76 casos de descumprimento de medida protetiva. Fabiano Alves ressaltou que a ferramenta tem papel importante na proteção das vítimas. “São medidas muito sérias e eficazes e é um instrumento posto para a salvaguarda da vítima nessas situações”, afirmou. De acordo com ele, o descumprimento da determinação judicial constitui crime e pode resultar inclusive em prisão preventiva do agressor.

Além da atuação da Polícia Civil e do Judiciário, mulheres com medidas protetivas podem ser acompanhadas pelo Programa Mulher Segura, o PROMUSE, da Polícia Militar. Em 2025, o programa recebeu 678 medidas protetivas de urgência, realizou 112 visitas técnicas e registrou 340 mulheres que não quiseram acompanhamento. De janeiro a julho deste ano, foram 394 medidas recebidas e 580 fiscalizações. O programa também registrou 54 mulheres inseridas no acompanhamento, 252 que não aceitaram o serviço e 101 que não foram localizadas. Segundo a coordenadora do PROMUSE em Três Lagoas, cabo Selma Souza, todas as vítimas são inicialmente contatadas por telefone e, quando aceitam o acompanhamento, recebem visita técnica para avaliação da situação e classificação do risco.

Selma explicou que muitas mulheres chegam ao programa fragilizadas e ainda com dúvidas sobre o rompimento da relação. “São mulheres bastante fragilizadas e sem saídas da situação de violência, com muitas dúvidas”, relatou. Segundo ela, fatores como medo, perda da autoestima e dependência emocional podem dificultar a decisão. A coordenadora também apontou que ainda existem situações que não chegam oficialmente à polícia. “Muitas não denunciam”, afirmou, citando vergonha, receio de prejudicar o agressor e medo da exposição como algumas das razões apresentadas pelas vítimas.

A rede de proteção também passou a contar com ferramentas tecnológicas para agilizar o atendimento. Em Três Lagoas, o aplicativo Mulher Segura MS está em fase de testes e permite que mulheres acompanhadas pelo PROMUSE enviem um alerta com a localização diretamente para as equipes policiais. “Já foi acionado algumas vezes, diminuindo o tempo resposta”, explicou Selma. Outro sistema, o Conecta PROMUSE, deve concentrar históricos, fiscalizações e relatórios e agilizar o envio de informações ao Poder Judiciário. Em situação de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Denúncias e orientações sobre violência contra a mulher também podem ser feitas pelo Ligue 180.





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