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Ruth Rocha é celebrada em mostra; há 50 anos publicava seu 1º livro

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Ruth Rocha é celebrada em mostra; há 50 anos publicava seu 1º livro

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Referência da literatura infantojuvenil brasileira, Ruth Rocha tem sua vida e obra celebradas na 73ª Ocupação do Itaú Cultural, em São Paulo. Mostra foi inaugurada neste sábado (9), com a presença da escritora, e fica em cartaz até 2 de agosto.

A exposição se junta às comemorações dos 95 anos da autora e das cinco décadas da publicação de seu primeiro livro, Palavras, Muitas Palavras, e do best-seller Marcelo, marmelo, martelo - que tem mais de 50 edições -, ambos de 1976.




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“Quero agradecer a todos os meus leitores, que fizeram a minha vida”, disse Ruth no evento de abertura, diante de um público de adultos, jovens e crianças.


Na mostra, gavetas e nichos revelam livros originais, monóculos com fotos de família e vídeos que resgatam memórias da autora.



O espaço expositivo funciona como um dicionário biográfico. Na letra B, de borboleta, está um de seus livros, Romeu e Julieta, no qual duas borboletas de cores diferentes não podem brincar juntas, em uma alusão ao racismo. Na letra C, de canto, há um vídeo inédito de Ruth cantando com a filha, Mariana, em janeiro de 2025. Pulando para a E, de Eduardo, tem uma homenagem ao marido e parceiro de vida, com fotos do casamento de 1956.




“O artista precisa muito ser valorizado. Ele precisa perceber o valor que dão a ele, porque é do que ele depende, é de ser valorizado. Uma homenagem grande como essa, uma homenagem ‘barulhenta’ como essa, é uma homenagem que valoriza muito a gente. Deixa a gente com uma noção de que valeu a pena tudo o que a gente fez”, disse Ruth à imprensa.




A gerente do Núcleo de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural, Galiana Brasil, disse que a Ocupação Ruth Rocha é uma oportunidade de apresentar a autora para mais gerações e promover um reencontro com os leitores que cresceram com ela e foram formados a partir dessa literatura.



“É importante dizer que a gente pensou muito do ponto de vista da criança, no sentido dos acessos, das alturas, das interações que o espaço promove, é como se fosse um brinquedo, um grande brinquedo. Tem cerca de 160 livros físicos delas, com a intenção da ocupação também, seduzir, brincar bastante com a criança e depois a ideia é que possam pegar, ler, entrar em contato fisicamente, corporalmente com esses livros”, explicou Galiana.



 




Brasília DF - 09/05/2026 - Ruth Rocha tem sua vida e obra celebradas na 73ª Ocupação do Itaú Cultural, inaugurada neste sábado (9). Foto: Arquivo pessoal.


Ruth Rocha é uma referência da literatura infantojuvenil brasileira, Foto: Arquivo pessoal.



Outro destaque é o aniversário de um dos personagens mais conhecidos de Ruth.




“Tem uma homenagem bonita, são 50 anos de Marcelo, então é um pouco fazer uma festinha de aniversário. O carrinho de rolimã está lá, tem um espaço com interação para as crianças poderem inventar novas palavras a partir da proposta dela", disse.




Em uma espécie de linha do tempo, é possível acompanhar em diversas edições expostas em sequência a evolução de Marcelo por meio dos traços de diferentes ilustradores ao longo destas cinco décadas. Há também uma nuvem de ideias, onde crianças podem renomear objetos, inspiradas no personagem, que procura uma lógica para os nomes das coisas.



Galiana ressaltou que a curadoria fez um mergulho no acervo da autora, que é muito preservado. “Tem um acervo fotográfico muito bonito da família, desses avós que ela tanto fala como os primeiros contadores de história”, disse. Ela citou ainda a importância da revista Recreio na trajetória profissional de Ruth e os depoimentos da Ana Maria Machado e Pedro Bandeira, autores contemporâneos de Ruth, e que estão disponíveis na mostra.



Família e literatura



 




Brasília DF - 09/05/2026 - Ruth Rocha tem sua vida e obra celebradas na 73ª Ocupação do Itaú Cultural, inaugurada neste sábado (9). Foto: Arquivo pessoal.


Brasília DF - 09/05/2026 - A relação de Ruth Rocha (foto) com a irmã Rilda ganhou uma representação especial na exposição. Foto: Arquivo pessoal. - Foto: Arquivo pessoal.




Os pais e avós da autora são lembrados na exposição, por meio de fotografias e até por uma carta, cujo manuscrito foi reproduzido e está acessível ao público. Ruth ressaltou a importância da família, não apenas por meio de apoio e incentivo à leitura e à escrita, mas como inspiração para suas obras. Segundo ela, o convívio com as crianças da família foi fundamental na sua criação literária.




“Eu tenho três irmãos mais novos, e esse convívio com eles crianças também significou muito para mim. Eu tive uma relação com eles muito amorosa, e depois, mais tarde, tive minha filha e sobrinhas muito queridas”, relatou.




“Então, eu acho que isso tudo influi para a gente criar. Eles mexem com alguma coisa lá dentro que dá vontade de conversar, dá vontade de explicar, dá vontade de contar. Eu tive muito contato com crianças e crianças muito especiais”, completou.



A relação com a irmã Rilda, 97 anos, ganhou uma representação especial na exposição. No espaço central, estão dois telefones antigos, chamado telefone de disco. Quando retirados do gancho, eles transmitem narrações de histórias de Ruth em sua própria voz. Essa é uma representação de um ritual diário entre a escritora e a irmã, que se falam e contam histórias por meio de ligações telefônicas.



O visitante também encontrará as caixas de história, que são mini teatros com cenas de contos da autora, visíveis por uma pequena abertura frontal. Elas são acompanhadas de áudios do álbum Mil pássaros, um projeto da dupla Palavra Cantada em parceria com Ruth.



Uma rampa conduz para o espaço Ruth para Ler, que remete a uma biblioteca, com tatames e almofadas. Esse é um convite para que as pessoas sentem no chão e possam ler juntas. Ali também é exibida a máquina de escrever original de Ruth Rocha e sete cadernos de anotações pessoais, entre fac-símiles e originais, além dos livros da autora disponíveis para manuseio.



Com mais de 200 títulos publicados, a obra de Ruth Rocha perpassa a infância de várias gerações, e continua levando crianças e jovens a se afeiçoar aos livros e à literatura. A autora sensibiliza leitores, ao longo de sua carreira, em temas que vão do medo à liberdade.




“Eu sou uma pessoa intuitiva, sabe? Eu não sou uma pessoa muito planejadora. Eu, quando começo um livro, geralmente eu tenho o começo e tenho o fim. Porque sem fim a gente não vai, né? Eu tenho que ter um fim. Depois eu recheio de uma maneira, cada um de um jeito, cada um com uma importância, cada um com um significado até para mim, sabe? Mas eu sou muito intuitiva para escrever”, disse Ruth sobre seu processo de criação.




Ela contou ainda, de forma bem humorada, como era seu tempo para escrever. “Eu sou desorganizada, e eu escrevia, atualmente não ando escrevendo mais, mas eu escrevia muito de noite, porque eu trabalhava fora, eu trabalhei toda a minha vida em empresa, então eu tinha pouco tempo. Eu trabalhava muito de madrugada, de domingo, de sábado, eu aproveitava muito o meu tempo, mas não sou organizada não, sou bem desorganizada.”




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