Número de alunos com autismo cresce 255% e pressiona rede pública em Três Lagoas
Foto: Gabriela Fernandes / CMTLS O aumento acelerado no número de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem ampliado a pressão sobre os serviços públicos em Três Lagoas. Dados apresentados durante seminário na Câmara Municipal apontam crescimento de 255% nas matrículas de alunos com autismo na rede municipal entre 2022 e 2026.
O debate reuniu representantes da saúde, educação e assistência social, além de entidades e especialistas, e teve como foco os desafios para garantir atendimento integral e especializado diante da alta demanda.
Na educação, o avanço no número de alunos exige ampliação constante da estrutura. Atualmente, o município conta com 11 professores especialistas em Atendimento Educacional Especializado (AEE), além de psicólogos escolares e intérpretes de Libras que atuam de forma itinerante nas unidades. A principal preocupação é manter a qualidade do ensino diante do crescimento acelerado.
Na área da saúde, a redução das filas foi um dos pontos destacados. A demanda por atendimento psicológico, que já chegou a quase duas mil pessoas, foi reduzida para cerca de 630 pacientes. Apesar do avanço, ainda há desafios na contratação de profissionais e na ampliação da oferta de serviços, especialmente na psiquiatria adulta.
O seminário também trouxe à tona uma lacuna no atendimento após a fase escolar. A falta de políticas públicas voltadas ao autista adulto foi apontada como um dos principais problemas, com destaque para a ausência de programas de socialização e atividades contínuas.
Entre as propostas discutidas está a ampliação de projetos de esporte adaptado, como forma de inclusão social e desenvolvimento físico. A demanda já foi formalizada junto à Secretaria Municipal de Esporte, Juventude e Lazer.
Outro ponto abordado foi a necessidade de maior integração entre os setores. A articulação entre saúde, educação e assistência social foi considerada essencial para evitar atendimentos fragmentados e garantir suporte completo às famílias.
Durante o encontro, também foi reforçada a importância da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPtea), que assegura atendimento prioritário e facilita o acesso a serviços.
A meta da gestão municipal é reduzir significativamente as filas de espera até o fim de 2026, enquanto novas medidas devem ser estruturadas com base nas discussões do seminário. O conteúdo apresentado deve orientar futuras ações e projetos voltados à inclusão e ao fortalecimento da rede de atendimento no município.




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