Financiamento ambiental domina debate no Dia do Pantanal durante COP15
Foto: Mairinco de Pauda / Semadesc O financiamento de políticas ambientais e a busca por soluções sustentáveis de longo prazo marcaram o segundo dia da COP15, durante a programação do Dia do Pantanal, em Campo Grande. O evento reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir caminhos para a preservação do bioma.
Realizado dentro da chamada Blue Zone da conferência, o encontro teve como foco principal a conservação de espécies migratórias e a construção de mecanismos que garantam recursos contínuos para ações ambientais. O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, destacou que a preservação precisa caminhar junto com tecnologia e inovação.
Segundo ele, o Pantanal possui características únicas por estar concentrado em dois estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o que exige estratégias integradas. Verruck também apontou a Lei do Pantanal como um marco recente, ao estabelecer regras de preservação, corredores ecológicos e critérios de proteção da vegetação nativa.
O evento “Pantanal em Movimento – Ciência, Governança e Financiamento para a Conservação de Espécies Migratórias” foi dividido em três painéis, abordando desde pesquisa científica até governança e fontes de financiamento.
Um dos destaques foi o debate sobre a necessidade de recursos sustentáveis ao longo do tempo. Representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade defenderam modelos que garantam que os investimentos cheguem efetivamente às ações na ponta.
No painel sobre financiamento, o secretário adjunto da Semadesc, Artur Falcette, explicou que o Fundo Clima Pantanal foi criado não apenas como fonte de recursos, mas também como instrumento de negociação com o setor produtivo durante a elaboração da legislação ambiental do estado.
Ele ressaltou que a maior parte do território pantaneiro está em áreas privadas, o que torna essencial a participação dos proprietários rurais. Nesse contexto, o pagamento por serviços ambientais surge como principal ferramenta, remunerando quem preserva a vegetação nativa.
Apesar disso, o próprio governo reconhece que os recursos públicos não são suficientes para garantir a conservação em larga escala. A estratégia, segundo os debatedores, é usar esses programas como modelo para atrair investimentos da iniciativa privada.
Outro ponto destacado foi a inclusão de comunidades tradicionais nas políticas ambientais, com foco na geração de renda e valorização social. A avaliação é de que a preservação do Pantanal depende de equilíbrio entre conservação, desenvolvimento e participação econômica das populações locais.
A COP15 segue até o dia 29 de março em Campo Grande, reunindo representantes de diversos países para discutir a proteção de espécies migratórias e a sustentabilidade ambiental.




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