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Três Lagoas,04/04/2026

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Ex-prefeito alega legítima defesa após morte em disputa por imóvel em Campo Grande


Ex-prefeito alega legítima defesa após morte em disputa por imóvel em Campo Grande Fachada imóvel onde crime aconteceu / Foto: Google Maps

A morte de um servidor público durante uma disputa por posse de imóvel de alto valor, em Campo Grande, expôs um conflito judicial e pessoal que já vinha se arrastando há meses e ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (24).

O ex-prefeito Alcides Bernal afirmou à polícia que agiu em legítima defesa ao atirar contra o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto no local. Segundo a versão apresentada, ele acreditava que a residência estava sendo invadida.

De acordo com informações mais recentes do caso, Bernal já havia registrado anteriormente ocorrências relatando supostas tentativas de invasão e perseguição relacionadas ao imóvel, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados.

A defesa sustenta que a entrada da vítima no imóvel teria sido irregular. O advogado do ex-prefeito afirmou que houve arrombamento da residência com auxílio de um chaveiro, sem ordem judicial para posse imediata.

A investigação aponta que Mazzini foi até o local acompanhado justamente para abrir o imóvel, que havia sido adquirido em leilão. Ele pretendia entregar uma notificação extrajudicial de desocupação.

Durante o encontro, houve desentendimento. Bernal efetuou ao menos dois disparos. Equipes de socorro foram acionadas e tentaram reanimar a vítima por cerca de 25 minutos, mas o servidor não resistiu.

Testemunhas relataram que o ex-prefeito deixou o local após os tiros, mas se apresentou pouco depois à polícia. Ele foi encaminhado para a Depac Cepol, onde prestou depoimento e teve a versão registrada.

O caso é tratado inicialmente como homicídio, mas a alegação de legítima defesa será analisada no decorrer do inquérito. A polícia também deve apurar as circunstâncias da entrada no imóvel e a existência, ou não, de ordem judicial que autorizasse a posse.


Disputa por imóvel milionário

O imóvel onde ocorreu o crime havia sido leiloado em 2025 após dívidas acumuladas. Avaliado em cerca de R$ 3,7 milhões, o lance mínimo no leilão foi de aproximadamente R$ 2,4 milhões.

Mesmo após a venda, Bernal continuava residindo no local. A ida da vítima ao endereço fazia parte do processo de tentativa de imissão de posse.

Além do valor elevado, o imóvel também acumulava débitos, incluindo cerca de R$ 344 mil em IPTU.


Histórico e tensão crescente

Antes do crime, o ex-prefeito já alegava estar sendo alvo de investidas relacionadas ao imóvel. A defesa tenta sustentar que o episódio desta terça-feira foi o ápice de uma sequência de conflitos.

Já do ponto de vista investigativo, a polícia deve aprofundar três pontos principais: se houve invasão ou tentativa ilegal de entrada, se existia respaldo judicial para a ação da vítima e se a reação de Bernal foi proporcional à situação.

O caso segue em investigação e pode ter desdobramentos tanto na esfera criminal quanto cível, especialmente em relação à posse definitiva do imóvel.

Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos (Foto: Redes Sociais)


Alcides Bernal afirmou à polícia que agiu em legítima defesa (Foto: Divulgação)




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