MS tem mais de 20 mil alunos em 69 escolas indígenas
Foto: Assessoria de Comunicação Mato Grosso do Sul possui 69 escolas indígenas, com 20.219 estudantes matriculados em 24 municípios. Os dados são do Censo Escolar da Educação Básica 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e foram organizados pelo Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul (OCMS).
Do total de unidades, 47 pertencem às redes municipais e 22 à rede estadual. O levantamento reuniu informações sobre o perfil dos estudantes, idiomas utilizados, transporte escolar, infraestrutura, tecnologia e acessibilidade.
As línguas indígenas estão presentes em 64 escolas. Em 61 unidades, são utilizados o idioma do povo atendido e o português. Outras três utilizam somente a língua indígena, enquanto cinco usam apenas a portuguesa.
Entre os estudantes matriculados, 17.900 se declararam indígenas, o equivalente a 88,5% do total. Outros 1.075 se identificaram como pardos, 701 como brancos, 23 como pretos e 15 como amarelos. Ao todo, 505 não declararam cor ou raça. As matrículas estão divididas entre 10.216 meninos e 10.003 meninas.
O transporte escolar público atende 8.121 alunos dessas unidades. Desse total, 6.794 utilizam o serviço sob responsabilidade dos municípios e 1.327 são atendidos pelo Estado.
Na infraestrutura, o levantamento apontou que 68 das 69 escolas possuem acesso à internet. Equipamentos multimídia estão disponíveis em 61 unidades e computadores, em 59. Além disso, 57 escolas contam com quadra de esportes, 34 têm laboratório de informática e 30 possuem biblioteca ou sala de leitura.
Apenas duas unidades dispõem de laboratório de Ciências. Outras 15 possuem sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), destinada ao apoio pedagógico de estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista ou altas habilidades e superdotação.
Os dados também mostraram que 28 escolas não registraram nenhum dos recursos de acessibilidade relacionados no levantamento. Entre as unidades, 25 possuem portas com vão livre de pelo menos 80 centímetros, 17 têm rampas, oito contam com corrimão, oito possuem piso tátil e uma dispõe de elevador.
“Reunir essas informações permite conhecer diferentes aspectos da educação escolar indígena em Mato Grosso do Sul, desde o número e o perfil dos estudantes até as condições de infraestrutura, acessibilidade e tecnologia das unidades. O papel do Observatório é organizar esses dados públicos e torná-los mais acessíveis para a sociedade e para quem atua no planejamento e na construção de políticas públicas”, afirmou o coordenador do Observatório da Cidadania, professor Samuel de Oliveira.
As escolas estão localizadas em Amambai, Anastácio, Antônio João, Aquidauana, Aral Moreira, Bela Vista, Caarapó, Campo Grande, Coronel Sapucaia, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Dourados, Eldorado, Japorã, Laguna Carapã, Maracaju, Miranda, Nioaque, Paranhos, Porto Murtinho, Sete Quedas, Sidrolândia e Tacuru.
O reconhecimento de uma escola como indígena está relacionado à proposta pedagógica, à participação comunitária e à organização escolar adaptada à realidade do povo atendido. A presença de estudantes não indígenas não descaracteriza a instituição, desde que ela mantenha sua proposta comunitária.
Criado em 2024, o Observatório da Cidadania é um programa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e apoio da Fundect.



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